Com ressaca do amor..
Acredito que a base do amor seja a admiração. Mas também acredito que a base da inveja - e da cobiça - seja igualmente a admiração. A diferença entre a admiração do amor e da inveja é que o amor é gostar do outro, admirar o outro para o outro. Ficar contente pra caramba com o outro, simplesmente. A inveja não. A inveja é admirar, mas lá no fundo querer ter alguma coisa. Às vezes a gente acha que está apaixonado, que está amando, mas não está. A gente está num baita ato invejoso. E isso se mede por aquela coisa.. No começo: ”Nossa, ele é incrível, ele é tão trabalhador”. E o motivo da separação: ele trabalhava muito. No começo: ”Nossa, ela é gostosa, linda, vaidosa”. Motivo de queixa, depois: ela só pensa em roupa. Inveja é começar a “destruir” o que o outro tem de bom. Criticar o que até então era admirável. Uma das coisas que estraga a maioria das relações amorosas é pensar apenas no que a outra pessoa tem para lhe servir - e isso descreve um tipo de relação interesseira -, e não pensar no que você pode servir para aquela pessoa e no que pode oferecer a ela. Mas isso não quer dizer que deve-se haver um equilíbrio. Às vezes o casal quer, realmente, o desequilíbrio. Às vezes, por exemplo, a mulher não aguenta receber tanto afeto, mas por outro lado gosta de dar muito afeto. Então, você que é de fora vai ter a sensação de que aquele relacionamento é desequilibrado. Mas eles estão absolutamente felizes daquele jeito. Há o equilíbrio entre eles, de acordo com suas vontades e necessidades. Eles se completaram, se encaixaram daquela maneira. E uma coisa que é chave para um relacionamento dar certo, é aquela coisa: a percepção. Perceber o outro, no sentido natural da palavra. Não fantasiar e delirar em cima, mas simplesmente perceber. Quando se há essa percepção no outro, a relação tem tudo para dar certo, fluir e perdurar para sempre. Tem que ter vontade de estar com o outro. Vontade de conversar, de rir, de falar qualquer coisa, de compartilhar.